5.11.11

Desabafo 1

Sou uma pessoa que, infelizmente, questiona as suas escolhas, por muitas vezes, não corresponderem às expectativas das pessoas. Sempre disse que sim a quem me pedia e tenho muitas dificuldades em dizer que não, quando necessário, pois sinto remorsos e pergunto-me vezes sem conta se terei razão. Pode parecer difícil compreender, mas para mim, que muitas vezes, o que faço é tendo sempre em consideração a palavra do outro, fazia sentido. É errado, bem o sei, e por este motivo, já passaram por cima de mim muitas vezes. Tomei consciência deste meu agir há algum tempo, mas só há pouco é que bati o pé. Fiquei farta de colocar os interesses dos outros à frente dos meus e de permitir que tomassem decisões que só a mim diziam respeito. Estou decidida a transformar este defeito, que um dia mais tarde me vai prejudicar em vários sentidos, em algo mais positivo e vantajoso. Custa-me dizer que não, custa-me mesmo, mas aprendi que, por vezes, temos de levar a nossa avante, senão, a sociedade em que vivemos nos esmagará a longo prazo. Nunca neguei ajuda aos meus amigos e de não ser generosa, é algo que não me podem acusar. Reservo-me demasiado e a minha palavra é, por isso, secundária em várias situações quotidianas.
Tenho sede de falar abertamente, mas essa pessoa reservada e isolada, impede-me. Escrever é difícil, falar é difícil, sentir é difícil, e até o respirar se torna difícil. Enquanto tudo isto permanecer difícil, expressar-me enquanto ser individual é um processo complexo, ao qual não tenho soluções. Mas ainda assim, não quer dizer que não escreva, fale, sinta e respire. Observo demasiado - anoto mentalmente os pequenos e grandes detalhes que me rodeiam. Tento inspirar-me diariamente nas pessoas com que convivo, que vejo e leio. Ainda assim, bloqueio e frequentemente, sou alvo de naufrágios que me isolam do mundo. Preciso de um barco e depois, aprender a navegar.


1 comentário:

Beatriz disse...

bem, parece que padecemos do mesmo mal..
No entanto, tranquilizo ao saber que finalmente abrimos os olhos, apesar de tarde. Sofremos com a incerteza das nossas decisões, desiludimo-nos com as pessoas que sempre apoiámos, com aquelas a quem demos sempre o nosso ombro e a nossa palavra amiga em cada momento. Na dor, na alegria, no choro, nos momentos penosos, dolorosos, todavia inesquecíveis. O que me parece que não é inesquecível é o facto de termos sido sempre nós, as únicas, a ajudar, a apoiar, a oferecer e mesmo a pôr os nossos interesses atrás dos interesses das pessoas que no fim, nos acabam por magoar ao esquecerem-se de dizer "obrigada", ao esquecerem-se que muitas vezes nos sacrificámos, ao esquecerem-se demasiado depressa da ajuda que já oferecemos, a troco de nada. Apenas desejando ouvir um "bem haja", um "se não fosses tu", um "quando precisares, também estarei aqui", porque prefiro dar, mas também gosto de receber. E estas pessoas não são amigas, não fazem metade do que já fomos capazes de fazer por elas, são egoístas e mesquinhas, são incapazes de pensar no bem que já lhes fizemos. No final de tudo, a culpa é nossa, nós é que devemos carregar com ela, nós é que ainda ficamos surpreendidas, nós é que ainda pensamos que temos que pedir desculpa. Estou magoada, ando magoada com a ilusão das minhas amizades, que camufladamente se tornaram em desilusão. No final das contas, eu é que agi mal, eu é que errei, eu é que sou arrogante, eu é que sou orgulhosa. Mas o pior é que continuo a errar e a perdoar, continuo a escolher ajudar quem nunca o fez, quem nunca esteve presente quando eu estive. Cada vez são menos as pessoas com quem posso realmente contar, as pessoas que realmente são dignas de eu as considerar "amigas", as pessoas que nunca me falharam .. E no final de tudo,sobram-me dedos das mãos para os contabilizar.
Um beijo e um enorme obrigada por estares presente quando sempre precisei.